07 abril 2013

Cláusula

Era escuro e frio, sua cabeça doía. Na manhã seguinte Wágner banalizava a situação, mas sentia provável merecimento do ocorrido. Em resumo, quatro doses de cachaça, meia-dúzia de cervejas, diálogo como se conhecessem Rebeca, a moça com quem foi se encontrar naquele dia no bar do Mendes. Wágner foi quem introduziu o assunto de talvez estar apaixonado, mas que certamente, ela merecia alguém melhor do que ele; que tinha conhecido uma amiga dela naquela noite, que tinha o mesmo nome de Rebeca. Eram três caras que falavam de Rebeca abertamente, com despudor, desrespeito, com "tiradinhas" a seu respeito. Wágner pede para que parem com a falácia, eles continuam. Wágner então os manda parar. Vê então que eles se espalham a seu redor, mas talvez pelo álcool ingerido, não sente medo, sente raiva, falta de respeito com Rebeca, respira fundo. Agora não teria outra saída, apanha e bate sem pestanejar. Eram os três e ele, dá dois ou três socos, se defende, toma um soco forte, dá outro no mesmo cara, e aí, que um dos caras junta um galho grande em meio àquela situação e pega Wágner de costas, batendo duas vezes, uma nas costas, outra em seu pescoço. Sangue, desvia de leve, e tenta uma forma de reação, toma mais um soco e cai. Um deles vem para cima de Wágner, os outros dois ainda têm talvez uma dose de culpa, mas aquele não, ele irá continuar, Wágner caído lhe faz perder a cabeça, quando aparentemente sem forças, o aponta o dedo e diz:

- Não fale dela nunca mais!

Esse vai então contra Wágner ainda caído, batendo na cabeça, depois o chuta. Os três comemoram, juntam-se a suas companheiras que estavam observando tudo aquilo.
Um homem o ajuda a se levantar, sangue por todos os lados, o coloca no táxi, Wágner sorri como forma de agradecimento, não lembra do porque estava deitado, nem o porquê de tanto sangue a uma quadra de distancia do bar. Chega em casa, sem preocupação, paga o táxi, fuma um cigarro, cumprimenta o porteiro e vai para o seu respectivo andar. Abre a porta, tira as calças, a camisa ensanguentada, os tênis, lava o rosto, escova os dentes muito doloridos; sorri por coisas que talvez não possam ser explicadas, mas sorri... 
E dorme.

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